Notícias e Reportagens

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sequestro made in twitter

– Não se mexe!

Eram 5 da manhã quando Adriana acabara de voltar de uma danceteria, sentiu o cano gelado da pistola 9mm do bandido entre a penúltima e a última costela.

– Abre a porta e entra sorrindo, como se fôssemos amigos – disse o bandido, bem vestido e sem aspecto ameaçador.

Obediente, Adriana entrou no seu prédio, no número 137 da Avenida Rainha Elizabeth. No elevador, suas pernas tremiam. Respirava ofegante por causa da tensão. Chegaram a seu apartamento, o 1506. Ninguém em casa, Adriana morava sozinha.

- Fecha a janela.
- Claro.
- Onde fica o cofre?
- Não tem cofre. Guardo o dinheiro naquela gaveta.
- Então vai lá e pega. Mas sem gracinhas, viu?
- Olha, eu quero colaborar.
- Quer? Então diz aí, cadê as jóias?
- Não tenho jóias.
- Olha…
- Juro…
- E o celular? Tá aonde?
- É pré-pago, mas pode pegar. Toma.

Subitamente, um ensurdecedor som de sirene irrompeu o ambiente, quebrando o silêncio, mas não a tensão. Na rua, três carros de polícia com policiais fortemente armados posicionaram-se em frente ao edifício. Ao lado deles, cinco carros da imprensa, nacional e internacional. O drama de Adriana estava na TV. E o mundo passou a mirar aquela fresta de janela no 15º andar de um prédio até então qualquer.

Poucos minutos depois, para alvoroço geral, Adriana apareceu na janela. Trazia o seguinte cartaz, escrito em letras de forma: “ELE VAI SE COMUNICAR ATRAVÉS DO MEU TWITTER”. Em seguida outro cartaz dizia “SIGAM @DRIKAROCK89”. Em minutos, o Twitter @drikarock89 era o mais seguido da internet em todo o mundo, atingindo a incrível marca de 368.692.771 seguidores. Era como se toda a França e Inglaterra a seguisse. Todos apreensivos pela primeira mensagem. E ela veio, traduzida pelo @translatingadriana, prontamente criado por um professor de português e inglês.

@drikarock89: Quero um carro blindado com um motorista.

Em seguida, milhões de RTs. Milhares de replies. Três foram os posts mais retwittados.

@augustopereira: @drickarock89: Blindado? Meu tio tem uma loja de blindagens. Telefone 2032-3213. Faz em 2 dias.

@carlospinto @drickarock89: Com esse trânsito, tomara que a blindagem seja boa, porque a polícia vai atirar de perto.

@rafaelcerpa @drickarock89: Deixar de ser idiota! Pede um helicóptero, burro.

A polícia rapidamente cadastrou-se no Twitter com o nome de @PMilitar e usou a foto do Capitão Nascimento como avatar. @PMilitar logo passou a seguir @drikarock89, mas não sem pedir para que a mesma a seguisse. Assim que ela obedeceu, @PMilitar enviou uma DM para o facínora:

@PMilitar @drikarock89 Calma. Está tudo bem aí?

@drikarock89 A polícia me mandou isso por DM: “Calma. Está tudo bem aí?”

@drikarock89 Tudo bem é o caralho! Meu blindado com motorista. Ou o próximo post da Adrianaserá póstumo.

A polícia, vendo que seus DMs seriam publicados pelo bandido, passou a twittar publicamente.

@PMilitar Precisamos de uma prova de que a moça está bem.

@drikarock89 Cliquem nesse link, seus merdas: http://twitpic.com/p97lka

Um link do Twitpic mostrava Adriana tranquila, com um sorriso afável para a câmera. Alívio geral. Deboche também na mesma proporção.

@julinho Gostosinha essa @drikarock89, hein? Morre fácil.

@chico_xavier @drikarock89 Fica tranquila, menina, se você morrer pode se comunicar com a família através de mim.

@xuxameneghel2 @drikarock89 Farei um apelo no meu programa. Caso aconteça algo com você, seus filhos serão educados em inglês.

@brunoXC @drikarock89 #drikafree.

Percebendo a proporção que o fato tomou e testando vaidosamente o poder do Twitter, o assaltante disparou o seguinte post:

@drikarock89 Se a tag #drikafree não entrar nos Trending Topics em uma hora, a moça morre.

Esse post foi o suficiente para que, em 10 minutos, #drikafree liderasse os Trending Topics do Twitter.

@drikarock89 @PMilitar Viu, seus babacas. Eu e o povo queremos libertar a moça, mas sem o carro e o motorista, nada feito.

@PMilitar Se entrega, prometemos não agredir você.

Segundos depois, pra surpresa geral, @drikarock89 publica o seguinte post:

@drikarock89 Agora quem tá escrevendo é a Adriana. Pai, mãe, eu amo vocês. Por favor, entreguem o carro.

Uma equipe do Fantástico, da Rede Globo, que estava alocada para fazer uma matéria sobre o nascer do Sol e sua influência nas orquídeas no Jardim Botânico, foram rapidamente para casa dos pais de Adriana, no Catumbi, onde mostrou ao vivo a reação da família. A mãe se benzeu, o pai apertou o terço com força. Dois tios se abraçaram. A avó, como não entende de Internet, achou que a neta estava selecionada para o BBB e pediu um beijo para o Pedro Bial. Segundos depois, o perfil @familiadaadriana publicou uma foto com a família toda segurando uma placa, na qual se lia “Drika! Te amamos!”.

@drikarock89 Sou eu de novo, o bandido. Cadê meu carro?

@PMilitar Está a caminho…

Nessa altura, tanto a twittosfera quanto a mídia tradicional em todo o mundo só falava do caso Adriana. O planeta parou para acompanhar o sequestro. Orações em diversas línguas, para diversos deuses, foram postadas no Twitter.

Passou-se uma hora sem comunicação alguma entre ambas as partes. Nem @drikarock89, nem @PMilitar twittavam. Até que Adriana twittou.

@drikarock89 Gente! O bandido fugiu pelo terraço. Mas me obrigou a esperar 10 minutos antes de divulgar. Estou LIVRE!!!!!!!

Segundos depois, a polícia invadiu o apartamento. Com lágrimas nos olhos, Adriana abraçou um policial. Em meio à comoção, um único pensamento assaltava seu pensamento: “Como é fácil conseguir bilhões de seguidores com uma pequena mentira”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O professor de Jornalismo da Uerj, Ary Moraes, é finalista do Prêmio Esso de Jornalismo 2009.


A mais tradicional premiação em jornalismo do Brasil terá esse ano a participação da Uerj. A lista divulgada hoje pela organização do Prêmio Esso trará o pioneiro na pesquisa e ensino de Infografia e Design de Notícias no Brasil, o professor do Departamento de Jornalismo da Uerj, Ary Moraes. Indicado como finalista na categoria “Prêmio Esso Primeira Página”pela capa “Michael Jackson”(imagem) do jornal carioca Extra”, ele, juntamente com Octávio Guedes, Robson Barbosa, Denise Ribeiro, Marlom Brum, Luiz Vieira Junior, Aloy Jupiara concorrerão contra trabalhos do jornal Correio (Salvador) e do também carioca O Dia.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios, aguardado filme de Quentin Tarantino, chega ao Brasil

A historiografia mostra que a Segunda Guerra Mundial não teve o mesmo impacto que sua antecessora, porém, certamente, ela é a mais famosa. Em termos sui generis, é mais fácil alguém já ter ouvido falar de Hitler e do nazismo do que de Bismarck e sua empreitada para a unificação alemã. Por essa riqueza de fascínio no imaginário coletivo é que filmes sobre a Segunda Guerra Mundial deveriam ser um gênero à parte na indústria do cinema. Acima disso, porém, um filme assinado por Quentin Tarantino resiste à categorização. Ele é um mestre em performances trazendo na medida aquilo que pode ir para o exagero iconográfico.


A nova produção do aclamado diretor de “Kill Bill” é baseado em um filme-B italiano da década de 70, “Quel Maledetto Treno Blindato” (Aquele maldito trem blindado, na tradução livre), rebatizado de “Inglorious Bastards” para o lançamento nos EUA. Tendo como pano de fundo uma França sitiada por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o filme conta a história fictícia de um esquadrão especial de judeus americanos, cuja missão era capturar e matar os soldados alemães. Mas tão rico quando o assunto é a metáfora.

Bastardos Inglórios não é sobre a história ou a guerra, ou as pessoas e seus problemas, ou qualquer coisa com profundo significado. É um filme sobre outros filmes. É interessante ver que aqui Tarantino segue a linha de outros dois longas-metragem, cujos fios-condutores da narrativa giram em torno de um heroísmo judeu personificado em símbolos de virilidade hollywoodianos: “Operação Valkyria”, com Tom Cruise e “Um ato de liberdade”, com o 007 da vez, Daniel Craig.


Mas no filme onde a figura de Brad Pitt (como o tenente Aldo Raine) deveria se destacar, um ator austríaco rouba a cena. A melhor atuação durante os 151 minutos de exibição fica por conta de Christoph Waltz, intérprete do mítico coronel da SS Hans Landa, vulgo “caçador de judeus”. Ele consegue criar uma personagem diferente de todos os nazistas já vistos: mau, sarcástico, irônico, suave, perverso, carismático e educado. A sequência logo no início, onde ele questiona e acusa um fazendeiro de oferecer abrigo a judeus, personifica essas características. Não é à toa que, não apenas por essa cena, mas pelo papel, Waltz levou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes e chega forte para o Oscar 2009.


Um tanto quanto parodiado, o longa é uma homenagem aos filmes de guerra, principalmente àqueles que tangem o “gênero Segunda Guerra Mundial”. Obviamente, não como um veículo de propaganda da guerra, embora a ela não fosse, pelo menos de forma direta, uma das principais preocupações do cinema nazista de Goebbels.


A primeira exibição do filme no Brasil no dia 7 de outubro, durante o Festival de Cinema do Rio, é cercada de expectativa. Oficialmente, a saga dos caçadores de nazistas chega nos cinemas somente no próximo dia 23. E os cinéfilos já podem comemorar a possibilidade de um Bastardos Inglórios 2, pois Tarantino disse em entrevista neste domingo (4) estar “intrigado em levar os personagens a partir do que acontece antes e depois deste filme".


Publicada em: O Estado RJ (www.oestadorj.com.br)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Senado impede aluno de ficar em 2 universidades públicas ao mesmo tempo

O estudante que passar em mais de um vestibular terá que optar agora pelo ingresso em apenas uma universidade. Um projeto de lei aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado nesta terça-feira, 29, proíbe um mesmo aluno de ocupar duas vagas simultaneamente em cursos de graduação em instituições públicas de ensino superior. A proposta, já adotada por muitas universiades públicas, segue agora para sanção presidencial.

Pelo projeto, se o aluno fizer mais de uma matrícula, depois de obter aprovação na seleção vestibular, terá prazo de até cinco dias úteis para optar por uma das vagas. Caso não houver manifestação dentro desse prazo, o estabelecimento providenciará o cancelamento da matrícula mais antiga, se a duplicidade ocorrer em instituições diferentes. Quando se tratar de matrículas em uma mesma instituição, a mais recente será cancelada. Será decretada a perda dos créditos adquiridos no curso em que a matrícula tiver sido fechada.

De acordo com o autor da proposta, deputado Maurício Rands (PT-PE), o limite estabelecido vem para permitir que um maior número de estudantes possa chegar às universidades públicas.

Para o relator na Comissão, senador Augusto Botelho (PT-RR), a medida é justa diante das "notórias" dificuldades que o Poder Público enfrenta para possibilitar o acesso à educação superior aos que reivindicam esse ingresso. Segundo ele, o relato de reitores foi de que alunos aprovados em mais de uma instituição fazem matrícula em todas, mas acabam cursando apenas uma, o que gera ociosidade de vaga.

Para o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), que votou contra a proposta, um estudante com capacidade para passar em mais de uma universidade pública deve ter a oportunidade de fazer os cursos ou manter a vaga por tempo suficiente para decidir qual o curso ou instituição que mais atenda às suas expectativas. Para o senador, os reitores argumentam contra a ociosidade de vagas, mas muitas vezes há vagas abertas e as instituições deixam de atender pedidos de transferência de alunos de fora.

Caso aprovada, a lei valerá a partir do momento em que for sancionada. Sendo assim, a situação dos atuais alunos que cursam duas universidades será mantida.


Fonte Primária: Agência Senado

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ponto facultativo na sexta


A prefeitura do Rio anunciou hoje que a próxima sexta-feira, 2/10, será considerada ponto facultativo em toda cidade. Essa possibilidade de final de semana prolongado acontece devido à escolha da 31° cidade a receber os Jogos Olímpicos da era moderna.

Como finalista, o Rio de Janeiro concorre ainda com mais três cidades para receber os Jogos: Chicago, Madri e Tóquio. Outras três cidades também lançaram sua candidatura à sede, mas foram eliminadas em uma seleção preliminar do COI (Comitê Olímpico Internacional). Dessa forma, Doha (Catar), Baku (Azerbaijão) e Praga (República Tcheca) saíram fora da disputa.

O anúncio da sede da Olimpíada de 2016 será realizado em Copenhague, na Dinamarca e tem as presenças confirmadas do presidente Lula e o ex-jogador Pelé. Ainda, no dia, haverá em Copacabana um evento gratuito com Lulu Santos e Bateria do Salgueiro para aguardar o resultado final. O show começará às 10h da manhã. Já a escolha da cidade tem previsão para sair entre 13h e 14h, horário de Brasília.

Nessa segunda-feira, a cidade recebeu a visita do presidente da FIFA, Joseph Blater, que em meio à inspeção nas futuras instalações para a Copa de 2014, declarou apoio à candidatura da cidade.

Vídeo promocional da candidatura Rio 2016

quarta-feira, 17 de junho de 2009

STF decide pela não-obrigatoriedade do diploma de jornalismo


Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, associa Jornalismo à Culinária. Procuradoria da República diz que curso de Jornalismo é um entrave à livre expressão

Por Guilherme Soares
guilhermsoares@yahoo.com.br

No início da noite desta quarta-feira (17), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram por oito votos a um que o diploma de jornalismo não será mais uma exigência obrigatória para exercer a profissão.

O relator do processo, ministro Gilmar Mendes (foto), lembrou que o decreto-lei 972/69, que regulamenta a profissão, foi gerado no seio do regime militar e com isso, tinha o propósito de afastar do jornalismo pessoas, intelectuais e ativistas contrários ao regime. O relator, ainda, discorreu sobre a situação dos cursos de graduação. Segundo ele, isso não acarretará numa demanda para o fechamento deles, pois, de acordo com ele, “serão importantes para o preparo técnico dos profissionais e deve continuar nos moldes de cursos como o de culinária e educação física, onde o diploma não é necessário para o exercício da profissão”. Mendes ainda reiterou que a participação das empresas jornalísticas na seleção de seus profissionais deve ser mais importante que a obtenção do diploma em si. Para ele, essas empresas ficariam responsáveis pela qualidade dos profissionais, e não o diploma.

Antônio Fernando de Souza, procurador-geral da República, disse em seu pronunciamento que a graduação em jornalismo atua como um empecilho à livre expressão estabelecida na Constituição. “A atividade exige capacidade de conhecimento multidisciplinar (...). O diploma não permite a outros profissionais transmitirem livremente seu conhecimento”, conclui. Com um pensamento próximo ao do relator, Antonio Souza também argumentou que o contexto onde que o decreto-lei fora criado era propício ao cerceamento à liberdade de expressão.

A Defesa

A favor da obrigatoriedade do diploma estavam a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Advocacia-Geral da União. O advogado da FENAJ, João Roberto Fontes, destacou que a imprensa como “quarto-poder”, um poder que seria o elo entre a sociedade os três demais poderes (legislativo, judiciário e executivo) e ponderou: “Se não é preciso ter um diploma para exercer um poder desta envergadura, para que mais será preciso?”.

Por parte da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça discorreu exemplos de regulamentação em outras carreiras para salientar que o Jornalismo também necessita de uma especificidade. Questionando o ponto bastante abordado por Gilmar Mendes e Antonio Souza, disse: “A simples leitura do decreto, livre das circunstâncias temporais – em referência à ditadura militar -, não afronta a Carta da República. Seu conteúdo é constitucional”. Bon apetit.

Identidade social sul-americana: um outro ponto de vista



Por Guilherme Soares

Quando olhamos para a Europa e seus elementos sociais, inevitavelmente vem uma comparação beirando o maniqueísmo desse continente com o nosso. Toda vez que é divulgada alguma pesquisa mostrando que os países europeus obtiveram os maiores I.D.H. (Índice de Desenvolvimento Humano, um medidor da ONU que aponta os países com melhores condições de vida) ou outras que envolvam uma natureza sócio-econômica, nos perguntamos: por que lá acontece – ou funciona - e aqui não? Enquanto a Europa é cortada por uma malha ferroviária capaz de fazer com que uma pessoa viaje de um país para outro em poucas horas, na América do Sul isso é inviável de se imaginar (provavelmente levaríamos o mesmo tempo apenas nas questões alfandegárias).

Alguns mecanismos institucionais facilitam na construção dessa identidade no velho continente. Os tratados que permitem a livre circulação de pessoas pelo continente e o fato de existir um Parlamento que represente (mesmo que na teoria) a vontade geral de todos são fatores que auxiliam nessa construção. Essa natureza integracionista beneficia não só as grandes potências europeias, mas também os países menores. Adena Macaria, natural de Nicósia (Chipre) diz que fica muito mais à vontade de falar que é “europeia” do que “chipreana”. “Amo meu país. Amo minha cidade. Mas acredito que se o Chipre se localizasse em outro lugar, não teríamos o status que temos hoje”, pondera a estudante de Medicina. Segundo a psicóloga social Jenny Elfreider, a identidade social se dá através da diferença. O processo de sabermos quem somos passa, antes de tudo, por sabermos quem não somos.

É lógico que devemos levar em consideração a história europeia que, em comparaçãoà sul-americana, é bem anterior a nossa. Isso, de fato, pesou bastante para que os europeus tenham maior noção de pertencimento. É preciso, no entanto, relativizar as culturas europeia e sul-americana pois, sendo diferentes, exigem também olhares diferentes. Dessa forma, não podemos observar a Europa como modelo e, portanto, nos esforçarmos para atingi-lo.

O Brasil e a América do Sul

Sempre que falamos de uma relação entre o Brasil e a América do Sul, a primeira ideia que surge, nesse âmbito de integração é o “Mercosul”. A “Declaração de Cuzco” ampliou o campo de abrangência do acordo anterior, visto que agora, uma visão não-economicista de integração regional começara. Mesmo assim, não existe uma maior interação entre as nações sul-americanas.

Um dos maiores estudiosos da sociedade brasileira, o antropólogo Roberto DaMatta, diz que no Brasil as relações pessoais circunscrevem as esferas jurídicas “rígidas”. Aqui, de acordo com ele, é o lugar do “jeitinho”, da “consideração”, da “camaradagem”. Olhar a sociedade por esse viés informal é ousado, porém não deixa de ser correto. O interessante é que isso não acontece somente aqui. Segundo ele, países de origem ibérica têm essa tendência. Conforme essa orientação, um exemplo acontece quando comparamos a figura do “despachante” tanto na Argentina quanto no Brasil. Em ambos ele assume a mesma função de “facilitador burocrático”. A integração existe por um meio não tão formal como acontece no europeu. Outros elementos desempenham esse papel, tais como o futebol e o folclore.

“Atingiremos os mesmos objetivos, mas de uma forma mais diferente. Menos dicotômica. Menos romântica. Daremos certo assim”, conclui DaMatta. Tom Jobim já falava que o Brasil não é para principiantes. É possível que entender a América do Sul não seja para qualquer um.

Matéria publicada em: O ESTADO RJ (www.oestadorj.com.br)